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Coluna Bruna Antunes

Crianças com baixa tolerância à frustração: quando os limites foram ultrapassados

Confira a coluna da psicóloga, Bruna Antunes, desta semana

Bruna Antunes

Bruna AntunesBruna Antunes, natural de Descanso, tem 32 anos, é Bacharel em Psicologia pela UNOESC de São Miguel do Oeste e graduada em Administração de Pessoas pela Uniasselvi, e atua como psicóloga do CRAS de São João do Oeste. A coluna objetiva abordar temas relacionados à psicologia de forma clara a fim de agregar conhecimentos e facilitar a interpretação dos leitores. Além disso, Bruna destaca reflexões sobre a importância e os cuidados necessários com a saúde mental.

05/02/2020 11h03Atualizado há 2 meses
Por: Bruna Antunes
Fonte: Oeste em Foco

Outro dia vivenciei uma cena um tanto quanto indignante: uma criança, mais ou menos de 5, 6 anos talvez, pedindo dinheiro para a mãe. A mesma disse que não tinha no momento, nessa hora a criança chutou, gritou, esperneou e pasmem: xingou a mãe com um palavrão que não cabe aqui mencionar. Me perguntei o motivo da criança querer dinheiro? Bom fosse dinheiro, um brinquedo, ou algo para comer, receber um não para algumas crianças é devastador. Tudo tem que ser na hora, pra ontem, caso não recebam a cena acima acontece.

A frustração se manifesta quando um projeto, uma ilusão ou um desejo não chega a se cumprir, gerando um conjunto de emoções como a tristeza, aborrecimento, ansiedade, angústia, decepção. Com todos nós isso é normal. E sempre pode acontecer.

 O que tem ocorrido com grande frequência, são comportamentos extremos de intolerância infantil, diante dos mais variados acontecimentos da vida.

 Ensinar nossos filhos a lidar com esse tipo de situação lhes ajudará, no futuro, a serem adultos pacientes e que conseguem tomar melhores decisões. Sabemos que as dificuldades da vida só tendem a crescer conforme formos nos tornando adultos: não passar no vestibular, ter aquele financiamento negado, não passar na entrevista de emprego, não ganhar na loteria depois de ter feito uns 30 jogos e por aí vai.

Para que as crianças possam enfrentar de maneira efetiva as diferentes circunstâncias da vida diária, é necessário que aprendam a tolerar desde pequenas a frustração. 

Cada criança tem sua maneira particular de reagir e enfrentar essas situações.

Isso tudo é importante para que eles saibam que não podem ter tudo perfeito, na hora que quiserem. Eles precisam entender que pode ser que terão que batalhar para realizar seus sonhos, e que os outros não estão a postos para servi-los 24 horas por dia. Criar-se-ia uma geração que não suporta perder, que faria qualquer coisa e passaria por cima de qualquer um pra ter o que quer, afinal, esse adulto, quando criança, não aprendeu a receber um “não”, não aprendeu que pode não ter tudo. 

Uma maneira de favorecer o desenvolvimento integral da criança é ajudá-la a assumir que na vida existem situações tanto de fracasso quanto de sucesso. Crianças com baixa tolerância à frustração são mais impacientes e impulsivas, tem dificuldade de controlar suas emoções, são muito exigentes, choram e fazem birra se não conseguem seus objetivos, são mais propensas a desenvolver quadros de depressão ou ansiedade frente a dificuldades ou conflitos importantes pois não sabem trabalhar com eles, possuem uma reduzida capacidade de adaptação e flexibilidade.

Cabe aos pais, mostrar todos os lados de um acontecimento para a criança, podendo deixar que ela mesma tome algumas decisões, sempre deixando claro que ela terá que arcar com as consequências. Assim a criança saberá entender que tudo tem limite, e que ela deve também ser responsável por suas atitudes. Interessante deixar claro que é algo normal cometer erros e que expressar os sentimentos é uma maneira de bater de frente com as situações que causam frustração.

É fundamental que a criança aprenda a diferenciar suas necessidades reais de seus desejos impulsivos. Também, os pais podem esclarecer para o filho a situação que se encontram no momento, por exemplo: a filha quer ganhar de presente uma boneca que custa R$ 150,00, mas no momento os pais não tem nenhuma condição financeira de dar o presente. A criança deve compreender isso- claro que o diálogo precisa se enquadrar na idade da criança-, e os pais também, para que ao satisfazer o desejo da filha, não acabem comprometendo o orçamento familiar (sim alguns pais fazem isso).

Em muitos casos, o carinho e a compreensão são as maiores estratégias para evitar a baixa tolerância à frustração, pois situações nas quais não se pode evitar, o mais importante é ensinar seu filho a identificá-la, de maneira que seja mais fácil para canalizá-la e pedir ajuda quando necessário.

 

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