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O que se sabe até agora sobre o novo vírus descoberto na China

Variante do coronavírus provocou mais de 50 casos de pneumonia em pessoas que vivem ou estiveram na cidade de Wuhan; uma morte foi registrada

24/01/2020 11h24
Por: Maico Zanotelli
Fonte: ND+
Divulgação/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA/Portal R7/ND
Divulgação/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA/Portal R7/ND

A descoberta na China de um novo vírus que causa problemas respiratórios em humanos tem deixado autoridades de saúde do mundo todo em atenção.

Desde o fim de dezembro, mais de 50 moradores ou pessoas que estiveram na cidade de Wuhan, na região central do país, tiveram pneumonia provocada pelo novo vírus. Um idoso que já tinha problemas de saúde prévios morreu após ser infectado.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou para o risco de o vírus se espalhar. O surto acontece a poucos dias do Ano-Novo chinês (25 de janeiro), época em que milhões de chineses viajam pela Ásia.

O agente que infectou ao menos 59 pessoas em Wuhan é uma variante do coronavírus e foi nomeado de nCoV-2019.

Os coronavírus são uma família conhecida por provocar problemas respiratórios de intensidade leve. No entanto, mutações recentes desse vírus foram responsáveis por surtos de SARS (síndrome respiratória aguda grave), surgida na China em 2002, e de MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio), em 2012.

A SARS acometeu 8.098 pessoas em 37 países e provocou cerca de 800 mortes (9,6% de taxa de mortalidade) em todo o mundo.

Já a MERS teve em torno de 2.200 infectados, com 790 mortes (36% de mortalidade). Não houve registros de casos recentes dessas duas doenças.

“Esse vírus de agora, apesar de ser extremamente inicial, parece ser de menor gravidade. Temos um óbito até agora. Mas também não dá para falar que é um vírus leve”, afirma a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Rosana explica que os sintomas da infecção pelo nCoV-2019 se assemelham aos de uma gripe, “só que um pouco mais forte”.

“Tem tosse, coriza, mal-estar, febre. E aí, nos raio-x dos pulmões acaba detectando uma pneumonia.”

Ela ressalta que foram poucos os casos em Wuhan que precisaram ir para a UTI. A principal preocupação envolve pessoas com problemas respiratórios, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.

“Nesses casos, se pegar um vírus desses, a tendência é de ter um quadro mais grave.”

O vírus está restrito à China?

Até o momento, todos os casos surgiram na cidade de Wuhan, uma metrópole com 11 milhões de habitantes.

Um mercado de frutos do mar e de animais vivos é apontado como o ponto de origem das primeiras contaminações pelo nCoV-2019. No entanto, alguns doentes afirmam nunca ter frequentado o local.

As autoridades sanitárias de Wuhan fecharam o mercado logo que surgiu a suspeita. Foram feitos trabalhos de limpeza e desinfecção.

Nos últimos dias, foram confirmados dois casos exportados — um na Tailândia e outro no Japão. Eram pessoas que haviam estado em Wuhan e viajaram para esses países. Os dois pacientes negaram ter ido ao mercado de frutos do mar.

“Quando a gente fala de vírus na China, estamos falando de uma densidade populacional enorme, o que sempre é motivo de preocupação. Pode ser que fique restrito àquela região, mas nunca se sabe. Até agora não vimos uma transmissão sustentada, ou seja, que aumenta exponencialmente”, afirma Rosana.

O principal termômetro para saber se o vírus está circulando entre humanos é o eventual adoecimento de profissionais de saúde que tiveram contato com pessoas infectadas, algo que até agora não aconteceu.

“Tem um caso de uma mulher que o marido dela trabalha no mercado de peixes, mas ela não frequentava. O marido pegou [o vírus] e ela também. Isso está sendo investigado,” acrescenta a infectologista.

Origem animal

Rosana explica que nos surtos recentes as variantes do coronavírus foram transmitidas de animais para humanos. “Na China, tem muita gente e eles têm o hábito de contato próximo com animais.”

A SARS surgiu em circunstâncias parecidas. Testes indicaram que animais mamíferos encontrados em um mercado na cidade de Shenzhen tinham o coronavírus que provoca a síndrome.

No caso da MERS, a suspeita é que camelos e dromedários na Arábia Saudita tenham sido a origem.

Porém, afirma a infectologista, “os coronavírus, como vários outros vírus, podem sofrer algumas mutações, mudanças genéticas, no sentido de causar doenças com características diferentes”.

O que está sendo feito

A China sequenciou o DNA do vírus e repassou os dados à OMS, que o classificou como um novo agente infeccioso. Porém, como tudo aconteceu em menos de um mês, tudo ainda é muito recente em termos de saúde pública.

Dezenas de aeroportos asiáticos estão submetendo passageiros procedentes de voos de Wuhan a escaneamento de temperatura logo no desembarque.

Foi assim que uma mulher que chegava à Tailândia foi identificada e isolada. Posteriormente, confirmou-se que ela tinha o nCoV-2019. A infectologista diz que profissionais de saúde precisam estar atentos neste momento.

“Lá no Emílio Ribas, os médicos já sabem que se a gente internar alguém com quadro respiratório que tenha viajado recentemente à Ásia, precisa isolar [o paciente] e investigar mais a fundo.”

Não há um medicamento específico para o tratamento de infecções causadas pelos coronavírus.

“A gente dá o suporte que o paciente precisar durante o ciclo [da doença]”, afirma Rosana.

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