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Conheça aeromoça xanxerense e os seus desafios profissionais

"A rotina de uma comissária de bordo é não ter rotina, ou seja, a escala com os voos é publicada mensalmente, só assim conseguimos saber por onde vamos pernoitar, que voos iremos fazer e que dias teremos folgas", relata Michelle Luíza Sofiatti

06/01/2020 08h45
Por: Júnior Recalcati
Fonte: Lance Notícias
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Sem rotina. Assim é a vida da xanxerense Michelle Luíza Sofiatti, que aos 33 anos é aeromoça. Tudo iniciou em 2009, quando ela começou a trabalhar em navios de cruzeiros. Com o passar do tempo o amor pela profissão e por viagens despertou e por incentivo de seu irmão realizou o curso de comissária de bordo.

– Saí de Xanxerê em 2009, quando fui trabalhar em Navio de Cruzeiros, e então percebi que me identificava muito com esse lifestyle de viagens. Fiz dois contratos trabalhando em navios e depois morei um tempo na Irlanda, em Dublin. Quando voltei decidi ficar por São Paulo, pois na época, meu irmão já voava e morava aqui. Foi então que ele sugeriu que eu fizesse o curso para comissária. Segui seu conselho e entrei na profissão em 2013, por incentivo do meu irmão – comenta.

Com as escalas de voos publicadas mensalmente, a xanxerense precisa se adaptar e organizar o seu tempo.

– A rotina de uma comissária de bordo é não ter rotina, ou seja, a escala com os voos é publicada mensalmente, só assim conseguimos saber por onde vamos pernoitar, que voos iremos fazer e que dias teremos folgas. Podemos fazer até cinco voos no dia. Mas sempre busco me organizar para alinhar meu trabalho com a minha vida pessoal, para que eu possa fazer atividade física, sair com amigos, visitar a família e viajar (sim viajar, porque quando estamos trabalhando estamos voando e não viajando, pois, viagem é a lazer). Muitas vezes nos pernoites chegamos super cansados que só queremos cama e as vezes não temos muito tempo disponível nas cidades. Porém em outras vezes é possível sair, conhecer um pouco da cultura e da cidade em si. Varia de cada voo, de cada tempo de permanência nas cidades, e assim consigo me planejar. Uma coisa é certa, não sou de ficar no hotel não, adoro sair, mesmo que já conheça a cidade – salienta.

A vida de trabalhar em navios e também como aeromoça lhe permitiu a conhecer muitos países. Na conta, estão 32, mas ainda há outros que ela planeja visitar. Questionada sobre os desafios, Michelle comenta que o de estar longe da família é um dos principais.

– Estar longe da família é difícil muitas vezes, pois, querendo ou não, a profissão de comissária de voo, ou aeromoça, é um pouco solitária. Muitas vezes chegamos cansados do voo nos hotéis e acabamos ficando sozinhos. Por isso é muito importante ter uma boa relação familiar e sanidade mental, para poder ter equilíbrio. Sempre que possível, busco visitar minha família aí no Sul, e falo todos os dias com eles pelo WhatsApp. Ter relacionamentos que não estejam linkados com a avião fazem toda a diferença. Mas se eu pudesse, levaria minha mãe na mala (risos) – diz Michelle.

Atualmente, a xanxerense reside em São Paulo e é ali o início e término de suas jornadas de voos. Ela comenta que apesar de amar e muito sua profissão, já pensou em desistir por muitas vezes.

– Já pensei em desistir por conta de ser uma profissão bem cansativa e que muitas vezes te deixa longe das pessoas que você ama.  Em datas comemorativas, aniversários, casamentos e etc., muitas vezes não se pode estar presente. Posso me programar somente com um mês de antecedência, que é quando sai a escala. Mas em contra partida, gosto dessa rotina de não ter rotina, de estar de folga quando todos estão trabalhando, de poder viajar a hora que eu quiser para onde eu quiser no Brasil e fora do Brasil com preço acessível. A acessibilidade da profissão é muito boa. Fora que conheço pessoas em muitos lugares. Adoro esse networking. Então colocando na balança, tudo depende em qual fase você está na vida. Como sou solteira e sem filhos, ainda aproveito e curto o meu trabalho. Porém quando se tem uma família e filhos, já é bem mais difícil de conciliar. O importante é ser feliz e ter uma vida leve – conta.

Em meio a essa rotina de não ter rotina, a xanxerense diz que leva para a vida as oportunidades e vive ao máximo cada detalhe.

– O que levo para a vida é que devemos viver a vida ao máximo. Aproveitar as oportunidades que a vida nos dá. Ver o lado bom de tudo e agradecer sempre. Muitas vezes quando acordo cansada para voar na madrugada, a vida logo me mostra que devo agradecer, pois muitas vezes embarca um cadeirante ou pessoa com alguma deficiência física e eu logo penso: Por que reclamar? Essa pessoa daria tudo para ter minhas pernas ou meu corpo quem sabe. Então seja grato pelo que tens, viva e não apenas exista. Nada vai mudar se você não mudar. Busco ler muito, buscar assuntos que não estejam ligados à minha profissão, busco não ver noticiários e nem me contaminar com pessoas negativas. Alimento minha mente com coisas positivas, e busco o que me faz bem – detalha.

Atualmente Michelle é comissária da Latam, mas já trabalhou também para a Avianca.

– Voei por seis anos na Avianca. Após o fechamento da empresa passei por uma seleção bem rigorosa com 1300 candidatos onde somente 175 foram contratados. Por isso é importante sempre se manter atualizado – detalha.

A xanxerense conta tudo sobre a sua vida e voos em seu perfil do Instagram que hoje possui mais de 24 mil seguidores.

– Os desafios são muitos, desde conciliar o cansaço com a rotina pessoal até ter o manejo para lidar com aquele passageiro estressado. As pessoas que desconhecem nossa profissão acham que estamos no avião para servido cafezinho, mas na verdade estamos lá para salvar vidas, casa surja algum acidente. Somos enfermeiros, médicos, psicólogos, conselheiros e assim sucessivamente. Diariamente estou em contato com muitas pessoas, em um único voo tem gente indo curtir férias ou gente indo para um velório. Por isso, temos que ter o Feeling apurado para tratar as pessoas da melhor maneira. Saber lidar com mudanças de escalas sem reclamar. Não criar muitas expectativas e ser uma boa profissional é o que nos torna melhor a cada dia. Algo inusitado que vivi seria somente algumas turbulências mais severas ou arremetidas. Mas não que influencie a segurança de voo. Sem quiserem acompanhar minha rotina, acabo postando muita coisa nos meus stories no Instagram, e caso tenham alguma dúvida podem me mandar mensagem também. Meu Instagram é @misofiatti.  É isso gente. Um grande beijo e que Deus abençoe sempre – conclui.

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