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Estiagem

BRF Chapecó busca água no rio Uruguai para manter produção

Estiagem afeta municípios do Oeste de SC há mais de 30 dias e impactos já são sentidos na agricultura, na produção de leite, gado de corte, aves e suínos

24/03/2020 17h00
Por: Maico Zanotelli
Fonte: ND+
 Reprodução | ND
Reprodução | ND

A estiagem que castiga o Oeste de Santa Catarina também afeta agroindústrias da região. Em Chapecó, nesta segunda-feira (23), a unidade da BRF começou a puxar água do rio Uruguai para manter a produção. 

A empresa informou que a medida visa “garantir a qualidade e segurança de seus processos”. O nível do lajeado São José, que fica no bairro Engenho Braun e abastece o município, está com apenas 40% da sua capacidade devido à falta de chuva. 

A captação de água é feita no porto Goio-Ên, que fica localizado na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a cerca de 20 quilômetros do Centro de Chapecó. O abastecimento é feito com caminhões, porém a empresa não informou o número de veículos usados no processo. 

“Tem objetivo abastecer a unidade fabril e evitar interrupção da produção local”, lembrou a nota da empresa. 

Em Concórdia, no Alto Uruguai, desde fevereiro a unidade da BRF transporta água do lago de Itá para manter a produção da empresa. Ao todo 35 caminhões fazem seis viagens diárias com 38 mil litros cada.

Nota da BRF

Chapecó, 23 de março de 2020 – A BRF informa que, para garantir a qualidade e segurança de seus processos, realizará a captação de água do Rio Uruguai, localizado em Goio-Ên, a partir de 23 de março.

A medida emergencial decorre da atual escassez de água no município de Chapecó, em Santa Catarina e tem como objetivo abastecer a unidade fabril e evitar interrupção da produção local.

A companhia se mantém comprometida no uso consciente da água, seguindo padrões de qualidade da norma ISO 14001 e monitora 100% das unidades do Brasil por meio do Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA), sob os aspectos dos efluentes, resíduos, emissões atmosféricas, resíduos, outorgas e licenças ambientais.

A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Aurora Alimentos, que possui unidades em Chapecó, mas fomos informados que o abastecimento das plantas segue normal.

Situação preocupante 

O meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral do Cemaden, afirma que a situação da região Sul vem piorando mês a mês, com chuvas abaixo da média.

Ele explica que a anomalia de chuvas começou há aproximadamente cinco anos e que o fenômeno é chamado de “onda de seca”. A intensificação da estiagem ocorre em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com Vinicius Tavares Constante, gerente de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos, da Sema (Secretaria Executiva do Meio Ambiente) ligada à SDE, a situação deve piorar.

“As previsões não são boas nas próximas semanas com relação ao volume de chuvas. Nós já temos problemas no abastecimento público em vários municípios do Oeste. Nós temos problemas na agricultura que vem desde a estiagem que ocorreu no ano passado. Somada a esta estiagem, setores da produção agrícola estão sofrendo”, completou o gerente.

Alerta e emergência

Pelo menos 10 municípios do Oeste estão em situação de alerta, segundo a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). Prefeituras de pelo menos quatro municípios decretaram situação de emergência desde o início do mês.

Em Mondaí, onde o decreto foi assinado dia 6, houve perdas de aproximadamente 30% das culturas de soja, milho, feijão e pastagens e também impactos na produção de leite, gado de corte, aves e suínos.

Além de Mondaí, os municípios de Riqueza, São João do Oeste e Concórdia decretaram emergência devido a falta de chuvas.

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